sábado, 21 de abril de 2012

Dicas de Max Gehringer para Concurseiros Iniciantes


A palavra "concurseiro" ainda não entrou no dicionário, mas já faz parte do vocabulário de um razoável batalhão de pessoas no Brasil. São profissionais de todas as idades e com variados graus de instrução, que se dedicam apenas a estudar para concursos públicos.

Os atrativos do serviço público são inúmeros: salários bem razoáveis, horários decentes, estabilidade garantida e aposentadoria integral. Além disso, as exigências em termos de escolaridade são menores do que nas empresas privadas, não há necessidade de experiência anterior na função, e não existe, na maioria dos casos, a temível entrevista pessoal. Como na escola, passa quem tirar as notas mais altas. Logo, a conclusão é: não custa tentar. Na verdade, custa. Custa muito tempo e muito esforço.

Os concurseiros ativos já sabem. Mas aqui vão algumas dicas para os iniciantes ou aspirantes:

Primeiro, é preciso ter foco. Sair atirando em todas as direções geralmente faz com que o concurseiro quase acerte o alvo em muitos concursos, mas não acerte na mosca em nenhum. É preciso escolher uma direção e aprender tudo sobre ela. É preciso ler cada sílaba dos editais para ter a certeza de que todos os pré-requisitos foram bem entendidos.

Segundo, é preciso ter disciplina. O concurseiro estuda entre doze e dezesseis horas por dia, seis dias por semana. Assistir televisão, surfar na internet, praticar esportes, ou mesmo sair de férias, deixa de fazer parte de sua rotina. Por isso, ele precisa ter um local isolado para se concentrar no estudo e que não seja incomodado por ninguém. É necessária uma dedicação incomum para conseguir aguentar esse ritmo.

Terceiro, é preciso resiliência. Não desistir, nem se desiludir após duas ou três tentativas. Para o concurseiro, cada concurso em que ele não passa, é mais um aprendizado, e não uma nova decepção.

Quarta, é preciso apoio. A família precisa entender e estimular o concurseiro, que poderá passar anos estudando, até ser aprovado. Pais que ficam pressionando por resultados imediatos são o pior pesadelo dos concurseiros. 

Em resumo, apesar das dificuldades e ao contrário do que possa parecer para muita gente, é mais fácil conseguir um emprego atrativo numa empresa privada, do que passar num bom concurso público.


*Transcrição do comentário do Max Gehringer para a rádio CBN, do dia 21/10/2010.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Nunca confie em um político!

Existem 3 coisas que agente fazia... que agente mais se amarrava: era andar de skate, escutar Rock in Roll e falar mal do governo. Na verdade os anos foram se passando e agente descobriu que gostava de falar mal de qualquer governo... “foda-se”, fosse ele qual fosse, de esquerda, de direita, “todos são iguais”, a regra é básica “Nunca confie em um político”. Tá ligado! Essa aqui é pra grandes oligarquias que parecem ainda dominar o Brasil, que conseguem deixar os grandes jornais brasileiros censurados durante dois anos como o Estado de São Paulo. Coisas inacreditáveis! Essa aqui é pro congresso brasileiro, essa aqui é em especial pro José Sarney. Essa aqui se chama “Que país é esse” .

(Dinho Ouro Preto no Rock in Rio 2011)

É assim que deve ser daqui pra frente! Não devemos confiar nos políticos, mas também não devemos nos omitir da nossa responsabilidade de cidadão. Com a regulamentação do direito de acesso a informação pública exercer a cidadania tornou-se, digamos, mais viável.

Mas o que é ser um cidadão ?

Segundo o Dicionário Aurélio Buarque de Holanda Ferreira, "cidadania é a qualidade ou estado do cidadão", entende-se por cidadão "o indivíduo no gozo dos direitos civis e políticos de um estado, ou no desempenho de seus deveres para com este". No sentido etimológico da palavra, cidadão deriva da palavra civita, que em latim significa cidade, e que tem seu correlato grego na palavra politikos - aquele que habita na cidade. No sentido ateniense do termo, cidadania é o direito da pessoa em participar das decisões nos destinos da Cidade

Conheça o Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas http://www.informacaopublica.org.br/

E seja um cidadão de fato e de direito.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Soledade (PB) pode ser próxima cidade a receber um campus do IFPB


Uma Campanha nas redes sociais iniciada há um ano pelos estudantes Fernando Luiz e Ícaro Costa, reinvindicando a instalação de um campus do IFPB na cidade de Soledade (PB), surtiu efeito. No final da tarde desta segunda-feira (12), o Reitor do IFPB, professor João Batista e o pró-reitor de Ensino, professor Paulo de Tarso receberam a visita do prefeito de Soledade, José Bento. O objetivo do encontro foi levantar informações sobre as necessidades técnicas exigidas no processo de implantação de um campus.
“O alunado de Soledade, Taperoá, Juazeirinho e Assunção tem que se deslocar para Campina Grande em busca de estudo. A gente entende que há uma dificuldade para transportar esses alunos, sem falar que muitos deles deixam de estudar por causa desse deslocamento”, enfatizou o prefeito, justificando a importância da instalação de um Campus IFPB naquela região.
Professor João Batista comentou que nas análises realizadas pelo IFPB, Soledade já aparece como cidade integrada aos campi tradicionais. Por isso, ele não descartou a possibilidade do município receber um núcleo avançado do IFPB, ligado ao campus Campina Grande. “Desde que sejam garantidos investimentos e todos os insumos necessários para a constituição de um campus, a causa é sempre bem-vinda quando o assunto é desenvolver a sociedade e investir em educação profissional tecnológica”.

Fonte: IFPB

terça-feira, 13 de março de 2012

Cresce intenção de consumo da classe C em 2012


A intenção de compra de consumidores da classe C subiu de 15% em janeiro de 2011 para 24% em janeiro deste ano. Foi o maior avanço entre as faixas de renda pesquisadas pela Fecomércio-RJ/Ipsos, no levantamento Hábitos de Consumo Brasileiro, divulgado nesta sexta-feira (9). Nas classes A e B, esta fatia subiu de 25% para 29% e, nas famílias D e E, a participação cresceu de 13% para 15%.

A pesquisa ouviu 1.000 entrevistados em 70 cidades do país. Deste total, 23% sinalizaram interesse em gastar mais este ano, contra 17% em 2011, impulsionados pela classe C.

O maior interesse da classe média em compras também ajudou a impulsionar o gasto médio do brasileiro com alimentação, higiene e limpeza, que cresceu 14,5% no período, de R$ 365,54 para R$ 418,56, em valores atualizados. "Este movimento de maior ímpeto de consumo da classe C não é novidade. Mas realmente houve um avanço expressivo no início deste ano", afirmou o economista da Fecomércio-RJ, Christian Travassos.

O contínuo crescimento da massa salarial do brasileiro, que norteou a migração de consumidores de faixas de renda baixa para mais elevadas nos últimos anos, tem sustentado o consumo da classe C. "O mercado de trabalho continuou aquecido no começo de 2012, e isso facilitou também o acesso ao crédito", disse, lembrando que estabilidade no emprego é pré-requisito em tomadas de empréstimos. Outro fator lembrado pelo economista foi o término das medidas macroprudenciais em meados do ano passado, anunciadas em dezembro de 2010, e que restringiam o consumo.

Entre as prioridades de consumo, o destaque na pesquisa foi reforma de casa, lembrado por 28% dos consumidores da classe C na pesquisa, contra 17% em janeiro de 2011. Este serviço também foi o mais lembrado pelas faixas de renda A e B (24%); e D e E (31%). Além da continuidade de redução de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre material de construção, prorrogada três vezes, Travassos lembrou a recente linha liberada pelo governo, via Caixa Econômica Federal (CEF), para reformas de domicílio, com recursos do FGTS.

Fonte: G1 Economia

segunda-feira, 12 de março de 2012

O Mercado de Trabalho para os profissionais de Gestão Pública






A Gestão Pública é a aplicação das teorias clássicas de administração no gerenciamento das instituições públicas. Encarregado de aplicar as teorias administrativas no desenvolvimento de ações do interesse social coletivo, o administrador público é essencialmente um planejador. Cada vez mais requisitado pelo mercado, ele gerencia organizações do setor público em nível governamental, em agências federais, estaduais ou municipais, nas empresas ligadas ao terceiro setor ou em organizações não governamentais. Os profissionais são habilitados para o planejamento e a gestão de políticas públicas, implementação de programas de responsabilidade social, gestão de organizações sociais, elaboração de programas governamentais e também são requisitados em agências reguladoras e de fomento social.

O que você pode fazer


Consultoria

Planejar ações institucionais que podem reduzir custos administrativos, ampliar a abrangência das ações e potencializar os benefícios das políticas públicas. Elaborar projetos para financiamentos em bancos públicos.

Empresas do terceiro setor

Implementar programas e projetos, elaborar e planejar processos de licitação pública, promover o contato entre as empresas e o setor estatal.

Empresas privadas

Atuar em atividades que interagem com o poder público e em projetos de gestão compartilhada.

Gestão de Políticas Públicas

Elaborar, coordenar e avaliar políticas públicas no que se refere a sistemas de saúde, de educação e segurança, por exemplo, para os poderes Executivo, Legislativo e para organizações da sociedade civil.

Organizações não-governamentais

Elaborar programas de metas, gerenciar orçamento, planejar e implementar programas sociais.

Serviço Público

Administrar e dar assistência aos setores contábeis e orçamentários dos órgãos públicos. Realizar licitações e contratos administrativos. Gerenciar a ligação entre empresas públicas e privadas.

Fonte: Guia do Estudante http://ow.ly/9Blf8


Onde você pode estudar na Paraíba

A Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) campus de Sumé oferece o Curso Superior de Tecnologia em Gestão Pública.

O Curso Superior de Tecnologia em Gestão Pública objetiva propiciar atividades de ensino, pesquisa e extensão sobre gestão pública, proporcionando uma formação teórica e metodológica nas áreas que compõem este campo científico.

O Tecnólogo em Gestão Pública tem como área de atuação as instituições públicas, nas esferas federal, estadual ou municipal. Suas atividades centram-se no planejamento, implantação e gerenciamento de programas e projetos de políticas públicas. Com sólidos conhecimentos sobre as regulamentações legais específicas do segmento, esse profissional busca a otimização da capacidade da administração pública. O trato com pessoas, a visão ampla e sistêmica da gestão pública, a capacidade de comunicação, trabalho em equipe e liderança são características indispensáveis a esse tecnólogo.

Duração do Curso: 2 anos e meio
Períodos: 5 períodos letivos
Turno: Noturno
Créditos: 142
Horas-aula: 2.130 horas
Vagas por ano: 50 vagas
Coordenador: Antônio Júnior Campos
Telefones: (83) 3353-1880
E-mail: gestaopublica@ufcg.edu.br

Fonte: UFCG/CDSA http://ow.ly/9BqQd


Veja o vídeo abaixo sobre os desafios da Gestão Pública

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Direito, inovação e o novo capitalismo, artigo de Luciano Benetti Timm


Luciano Benetti Timm é advogado, doutor em direito pela UFRGS. Pesquisador de Pós-doutorado na Universidade de Berkeley, Califórnia. Ex-presidente da Associação Brasileira de Direito e Economia. Artigo publicado no Valor Econômico de hoje (24).

Os Estados Unidos amargam recentemente um desemprego relativamente alto para sua história. É interessante rememorar que o estado da Federação mais rico é a Califórnia. E o que produz a Califórnia, já que não tem fábricas de carro? Ela é rica em produção de inovação tecnológica protegida por marcas e patentes e criatividade protegida por direitos autorais. Não por acaso, ela é o berço de empresas como Yahoo, Facebook, Google etc.

Essa nova face do capitalismo, que é um capitalismo de "ideias" e não mais de "concreto" (COOTER, 2008), acaba distribuindo, quem sabe, menos empregos diretos do que uma fábrica tradicional. No entanto, parece um processo inexorável, tanto que para este caminho parecem rumar China, Índia e quem sabe Brasil.

E o que é preciso para que um país gere inovações se não quiser ficar preso a um capitalismo ultrapassado? Note-se que os Estados Unidos detêm mais de 40% das patentes produzidas no mundo e seu PIB per capita ainda é absurdamente superior ao da China.

Segundo um paper seminal do professor COOTER (2008), a inovação requer a união de financiamento e de ideias (seed money, Angel investors, etc). No modelo norte-americano, quem tem ideias são agentes privados em busca de retorno financeiro. Ao Estado, cumpre fazer o menos, e fazendo menos, ele faz mais.

Com esta metáfora, o professor Cooter refere-se à teoria de que diante da incapacidade de agentes governamentais preverem o futuro, devem eles deixar de lado uma política industrial e se concentrar no que melhor pode fazer: educação e infraestrutura. A situação é diferente na Ásia, onde o Estado toma a si o papel de direcionar investimentos (lembrando que a Ásia ainda não é a fronteira da inovação tecnológica).

E o que o direito tem a ver com esse processo de geração de inovação? Tudo, segundo o mesmo professor. Segundo ele, será o Direito quem resolverá o problema de "desconfiança recíproca" inerente ao processo de inovação: de um lado, receio do inventor de que a invenção seja apropriada pelo financiador, e, de outro lado, receio de que o inventor se aproprie do dinheiro do investidor. Lembrando que na teoria do professor Cooter, sem essa união não há capitalização da inovação ao fim do dia.

O direito necessário para romper com a desconfiança recíproca depende do estágio e do modelo de investimento. Existem fundamentalmente três estágios do financiamento à inovação: um mais rudimentar (família, amigos etc); financiamento privado bancário ou vai recursos de private equity, seed money; financiamento público via mercado de capitais (e não governamental).

Para o primeiro estágio, o direito seria menos importante, já que a desconfiança recíproca é vencida por vínculos pessoais, relacionais e de comunidade. Para o segundo estágio, há a necessidade de um bom direito contratual, de propriedade (inclusive intelectual) e um sistema processual minimamente eficiente que faça cumprir estas regras contratuais e proprietárias. E o terceiro e último estágio requer um direito societário e de mercado de capitais.

Resta ao Brasil investir em educação e infraestrutura física. É bem verdade que a ciência brasileira vai bem em papers e em publicações, mas são estudos sem valor prático e não se convertem em inovação tecnológica. Eventualmente aqui o sistema jurídico (ou de incentivos) também possa mudar. Eventualmente o curriculum lattes dos professores pudesse ser compensado pela geração de patentes.

E no tema de infraestrutura, o direito pode contribuir com um novo direito administrativo, que não discrimine o estrangeiro, que valorize as parcerias público-privadas e que encaminhe a solução de conflitos por mediação e arbitragem.

Por fim, deve-se ter em mente que o processo de inovação tecnológica está relacionado com os direitos de propriedade intelectual. O grande dilema do inovador reside, além do problema de financiamento antes comentado, na dificuldade se apropriar do valor social daquilo que produziu, já que a informação - que é a base da inovação - tem a característica de um bem público (não excludente e não rival). Em tese, depois de escrito o livro ou feita a música, qualquer um poderia usufruí-los sem ter de pagar por isso. Propugna-se, assim, que o ordenamento jurídico deve, ao ter por certo que o inovador é um agente econômico racional e que reage a incentivos, incitá-lo a enfrentar o custoso, arriscado e incerto processo de inovar.

Até hoje o melhor caminho para que seja alcançado tal desiderato é pela via da livre iniciativa econômica e por meio dos direitos de propriedade intelectual. Os direitos de propriedade intelectual serão essenciais para a apropriação privada da inovação gerada. A questão ainda não respondida pela análise econômica do direito com segurança é o tempo necessário para gerar esse estímulo. Em grandes inovações, o período de proteção deve ser maior. Em empreendimentos menores, não haveria a mesma necessidade temporal.

Fonte: Jornal da Ciência, 24/02/2012

domingo, 12 de fevereiro de 2012

O insustentável preconceito do ser!




Era o admirável mundo novo! Recém-chegada de Salvador, vinha a convite de uma emissora de TV, para a qual já trabalhava como repórter. Solícitos, os colegas da redação paulistana se empenhavam em promover e indicar os melhores programas de lazer e cultura, onde eu abastecia a alma de prazer e o intelecto de novos conhecimentos.

Era o admirável mundo civilizado! Mentes abertas com alto nível de educação formal. No entanto, logo percebi o ruído no discurso:
- Recomendo um passeio pelo nosso "Central Park", disse um repórter. Mas evite ir ao Ibirapuera nos domingos, porque é uma baianada só!
-Então estarei em casa, repliquei ironicamente.
-Ai, desculpa, não quis te ofender. É força de expressão. Tô falando de um tipo de gente.
-A gente que ajudou a construir as ruas e pontes, e a levantar os prédios da capital paulista?
-Sim, quer dizer, não! Me refiro às pessoas mal-educadas, que falam alto e fazem "farofa" no parque.
-Desculpe, mas outro dia vi um paulistano que, silenciosamente, abriu a janela do carro e atirou uma caixa de sapatos.
-Não me leve a mal, não tenho preconceitos contra os baianos. Aliás, adoro a sua terra, seu jeito de falar....

De fato, percebo que não existe a intenção de magoar. São palavras ou expressões que , de tão arraigadas, passam despercebidas, mas carregam o flagelo do preconceito. Preconceito velado, o que é pior, porque não mostra a cara, não se assume como tal. Difícil combater um inimigo disfarçado.

Descobri que no Rio de Janeiro, a pecha recai sobre os "Paraíba", que, aliás, podem ser qualquer nordestino. Com ou sem a "Cabeça chata", outra denominação usada no Sudeste para quem nasce no Nordeste.

Na Bahia, a herança escravocrata até hoje reproduz gestos e palavras que segregam. Já testemunhei pessoas esfregando o dedo indicador no braço, para se referir a um negro, como se a cor do sujeito explicasse uma atitude censurável.

Numa das conversas que tive com a jornalista Miriam Leitão, ela comentava:
-O Brasil gosta de se imaginar como uma democracia racial, mas isso é uma ilusão. Nós temos uma marcha de carnaval, feita há 40 anos, cantada até hoje. E ela é terrível. Os brancos nunca pensam no que estão cantando. A letra diz o seguinte:
"O teu cabelo não nega, mulata
Porque és mulata na cor
Mas como a cor não pega, mulata
Mulata, quero o teu amor".
"É ofensivo", diz Miriam. Como a cor de alguém poderia contaminar, como se fosse doença? E as pessoas nunca percebem.

A expressão "pé na cozinha", para designar a ascendência africana, é a mais comum de todas, e também dita sem o menor constragimento. É o retorno à mentalidade escravocrata, reproduzindo as mazelas da senzala.
O cronista Rubem Alves publicou esta semana na Folha de São Paulo um artigo no qual ressalta:

"Palavras não são inocentes, elas são armas que os poderosos usam para ferir e dominar os fracos. Os brancos norte-americanos inventaram a palavra 'niger' para humilhar os negros. Criaram uma brincadeira que tinha um versinho assim:
'Eeny, meeny, miny, moe, catch a niger by the toe'...que quer dizer, agarre um crioulo pelo dedão do pé (aqui no Brasil, quando se quer diminuir um negro, usa-se a palavra crioulo).

Em denúncia a esse uso ofensivo da palavra , os negros cunharam o slogan 'black is beautiful'. Daí surgiu a linguagem politicamente correta. A regra fundamental dessa linguagem é nunca usar uma palavra que humilhe, discrimine ou zombe de alguém".
Será que na era Obama vão inventar "Pé na Presidência", para se referir aos negros e mulatos americanos de hoje?

A origem social é outro fator que gera comentários tidos como "inofensivos" , mas cruéis. A Nação que deveria se orgulhar de sua mobilidade social, é a mesma que o picha o próprio Presidente de torneiro mecânico, semi-analfabeto. Com relação aos empregados domésticos, já cheguei a ouvir:

- A minha "criadagem" não entra pelo elevador social !
E a complacência com relação aos chamamentos, insultos, por vezes humilhantes, dirigidos aos homossexuais ? Os termos bicha, bichona, frutinha, biba, "viado", maricona, boiola e uma infinidade de apelidos, despertam risadas. Quem se importa com o potencial ofensivo?

Mulher é rainha no dia oito de março. Quando se atreve a encarar o trânsito, e desagrada o código masculino, ouve frequentemente:
- Só podia ser mulher! Ei, dona Maria, seu lugar é no tanque!
Dependendo do tom do cabelo, demonstrações de desinformação ou falta de inteligência, são imediatamente imputadas a um certo tipo feminino:
-Só podia ser loira!
Se a forma de administrar o próprio dinheiro é poupar muito e gastar pouco:
- Só podia ser judeu!

A mesma superficialidade em abordar as características de um povo se aplica aos árabes. Aqui, todos eles viram turcos. Quem acumula quilos extras é motivo de chacota do tipo: rolha de poço, polpeta, almôndega, baleia ...
Gosto muito do provérbio bíblico, legado do Cristianismo: "O mal não é o que entra, mas o que sai da boca do homem". Invoco também a doutrina da Física Quântica, que confere às palavras o poder de ratificar ou transformar a realidade. São partículas de energia tecendo as teias do comportamento humano.

A liberdade de escolha e a tolerância das diferenças resumem o Princípio da Igualdade, sem o qual nenhuma sociedade pode ser Sustentável. O preconceito nas entrelinhas é perigoso, porque , em doses homeopáticas, reforça os estigmas e aprofunda os abismos entre os cidadãos. Revela a ignorancia e alimenta o monstro da maldade.

Até que um dia um trabalhador perde o emprego, se torna um alcóolatra, passa a viver nas ruas e amanhece carbonizado:
-Só podia ser mendigo!
No outro dia, o motim toma conta da prisão, a polícia invade, mata 111 detentos, e nem a canção do Caetano Veloso é capaz de comover:
-Só podia ser bandido!

Somos nós os responsáveis pela construção do ideal de civilidade aqui em São Paulo, no Rio, na Bahia, em qualquer lugar do mundo. É a consciência do valor de cada pessoa que eleva a raça humana e aflora o que temos de melhor para dizer uns aos outros.

PS: Fui ao Ibirapuera num domingo e encontrei vários conterrâneos.

Rosana Jatobá - jornalista, graduada em Direito e Jornalismo pela Universidade Federal da Bahia, e mestranda em gestão e tecnologias ambientais da Universidade de São Paulo.